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  • Marketing “no achismo” vs. marketing orientado por dados: o que muda na prática (e por que isso decide seu lucro)

Se você é dono(a) ou gestor(a) de uma empresa média no Brasil, provavelmente já viveu esta cena: alguém sugere “vamos impulsionar mais”, “vamos trocar a agência”, “vamos fazer um vídeo viral”, “vamos baixar o preço”, “vamos postar todo dia”. E, no fim do mês, o resultado vem misturado: uma campanha dá certo, outra dá errado, e a sensação é de que o crescimento depende mais de sorte do que de gestão.

Esse é o marketing no achismo: decisões baseadas em opinião, experiência isolada, intuição e pressão do curto prazo. Ele não é “burro” — às vezes funciona —, mas é caro, difícil de repetir e quase impossível de escalar com previsibilidade.

Do outro lado, existe o marketing orientado por dados: decisões tomadas a partir de medições confiáveis, análises consistentes e experimentos bem desenhados, com aprendizado contínuo. Não é “robotizar” a empresa; é reduzir desperdício e aumentar clareza.

A diferença entre um e outro costuma aparecer em três pontos:

  1. O que você mede (e se mede certo)
  2. Como você analisa (e se a análise responde perguntas de negócio)
  3. Como você decide (e se a decisão vira teste, rotina e melhoria)

A seguir, vamos comparar os dois mundos, mostrar exemplos (hipotéticos e reais) e, principalmente, explicar como implementar uma cultura de dados sem virar refém de dashboards.

1) O que é “marketing no achismo” (e por que ele seduz)

“Achismo” é quando você decide com base em frases como:

  • “Eu sinto que Instagram dá mais retorno”
  • “O concorrente está fazendo, então precisamos fazer também”
  • “Esse criativo ficou bonito, deve converter”
  • “A última campanha funcionou, repete”
  • “Vamos aumentar o orçamento que melhora”

O problema não é ter intuição. O problema é não separar intuição de evidência.

Empresas médias sofrem mais porque:

  • têm orçamento suficiente para gastar errado por meses;
  • não têm estrutura grande para absorver prejuízo sem doer;
  • vivem o “modo urgência”: vendas precisam entrar agora.

O marketing no achismo seduz porque é rápido, simples e dá sensação de controle. Mas ele tende a:

  • confundir movimento com resultado (mais posts ≠ mais vendas);
  • supervalorizar “métricas de vaidade” (curtidas, alcance);
  • gerar disputas internas (“minha ideia vs. a sua”);
  • repetir ações sem saber o motivo do sucesso/fracasso.

2) O que é marketing orientado por dados (sem virar “culto ao dashboard”)

Marketing orientado por dados não é ter mil indicadores. É ter poucos indicadores certos, com definições claras e processo de decisão.

Pense assim: dados são o “sistema nervoso” do marketing. Eles te dizem:

  • o que está funcionando;
  • o que está piorando;
  • onde você está perdendo dinheiro;
  • qual alavanca vale testar.

Aqui entra um ponto-chave: dados não servem para “provar quem está certo”. Servem para descobrir o que é verdade o suficiente para tomar uma decisão melhor.

Muitas empresas tentam “virar data-driven” e falham por dois extremos:

  • dados demais, sem pergunta: viram relatórios que ninguém usa;
  • pergunta demais, sem dados confiáveis: vira “análise” em planilha torta.

O caminho do meio é: pergunta de negócio → medição → análise → decisão → experimento → aprendizado.

3) Por que coletar “os dados certos” é mais importante do que coletar “muitos dados”

A maior causa de “marketing com dado que não melhora resultado” é dado errado.

Dado errado vem de:

  • eventos mal configurados (ex.: “purchase” dispara em página errada);
  • conversões duplicadas;
  • CRM sem padronização (origem = “Instagram”, “insta”, “IG”, “rede social”);
  • leads sem identificação consistente;
  • relatórios que misturam canais sem atribuição mínima.

Se você coleta errado, você analisa errado. E aí você decide errado com “confiança”.

O básico que uma empresa média precisa medir (de verdade)

Para não se perder, foque no essencial do funil (uma versão prática do AARRR/funil de crescimento):

  • Aquisição: de onde vem o tráfego/leads
  • Ativação: o primeiro valor entregue (ex.: orçamento solicitado, teste iniciado)
  • Receita: venda/contrato/pedido pago
  • Retenção: recompra/renovação/uso recorrente
  • Indicação: referência/convite/recomendação (quando fizer sentido)

Em B2B, muitas vezes “Receita” depende de vendas consultivas; em varejo/serviço, pode ser mais direto. O ponto é: seu marketing precisa ser avaliado pelo que anda o negócio para frente, não pelo que “parece bom”.

Para entender e configurar corretamente eventos e conversões (especialmente em GA4), vale usar documentação oficial, como:

4) “Análise” não é olhar gráfico: é responder perguntas que mudam decisões

Aqui está o divisor de águas: empresa no achismo olha relatório e diz “subiu” ou “caiu”. Empresa orientada por dados pergunta:

  • Subiu por quê? (canal? público? oferta? sazonalidade?)
  • Caiu onde? (qual etapa do funil?)
  • Quem melhorou? (qual segmento/coorte?)
  • Isso é causal ou coincidência? (mudou algo além da campanha?)

Um erro comum é confundir correlação com causa. Ex.: “Eu fiz posts no LinkedIn e as vendas cresceram, então foi o LinkedIn”. Pode ter sido também:

  • Aumento sazonal;
  • Queda do concorrente;
  • Mudança no time comercial;
  • Promoção;
  • Melhora no site;
  • Mix de produtos.

Por isso, quando possível, empresas maduras usam experimentação (testes) e buscam medir incrementalidade: o quanto aquela ação gerou de resultado a mais do que geraria sem ela.

5) Exemplos práticos: “achismo” vs. “dados” na mesma situação

Exemplo hipotético (varejo/serviço): “Instagram está dando resultado”

Cenário: clínica estética investe R$ 20 mil/mês em tráfego pago.

Achismo:
“Instagram está bombando. Vamos dobrar o orçamento.”

Marketing com dados (pergunta certa):

  • Quantos leads vieram do Instagram?
  • Qual % virou agendamento?
  • Qual % compareceu?
  • Qual ticket médio?
  • Qual margem?
  • Qual custo por cliente real (não por lead)?

Ação orientada por dados:
Você descobre que:

  • Instagram gera muitos leads baratos, mas com baixa taxa de comparecimento.
  • Google (pesquisa) gera menos leads, porém com maior intenção e maior conversão em venda.

Decisão:
Em vez de “dobrar Instagram”, você:

  • ajusta campanha do Instagram para qualificação (criativo + formulário + oferta);
  • aumenta investimento em pesquisa com palavras de alta intenção;
  • mede resultado em clientes e margem, não em leads.

Exemplo real (princípio): “testar rápido com ciclo de aprendizado”

O conceito de rodar ciclos curtos de teste, medir e aprender é bem descrito na abordagem de experimentação e feedback contínuo popularizada por Eric Ries em sua obra The Lean Startup:

Fonte da Imagem: Inovacoop

    A ideia não é copiar “startup”, mas aplicar o princípio: reduzir achismo com aprendizado rápido, especialmente quando o orçamento é limitado e cada erro custa caro.

    6) Sem “métrica que importa”, você só otimiza o que é fácil medir

    Outra diferença brutal entre marketing fraco e marketing forte é: o time sabe qual é a métrica que manda.

    Exemplos de “métricas que mandam” (dependem do negócio):

    • CAC (custo de aquisição) vs. LTV (valor do cliente no tempo)
    • margem por canal
    • taxa de conversão por etapa
    • payback (tempo para recuperar o CAC)
    • taxa de retenção/renovação

    No livro Lean Analytics: Use Data to Build a Better Startup Faster” de Alistair Croll e‎ Benjamin Yoskovitz se encontra a compreensão clarificada deste conceito de OMTM (One Metric That Matters) para pensar em métricas que realmente importam.

    O ciclo Lean Analytics (fonte da imagem: medium.com)

      7) Experimentos: o jeito “profissional” de sair do achismo

      Quando você não tem certeza, você testa.

      Mas teste bom não é “mudar tudo e ver o que acontece”. Experimento bom tem:

      • Hipótese clara (“se eu mudar X, então Y melhora porque…”)
      • Métrica principal (e métricas de segurança)
      • Segmento definido
      • Duração e tamanho mínimos
      • Decisão pré-definida (o que é sucesso? o que é fracasso?)

      Quando falamos de testes em marketing, muita gente pensa só em A/B de botão. Mas, na prática, você pode testar:

      • Oferta (desconto vs. bônus)
      • Proposta de valor
      • Segmentação
      • Criativo
      • Landing page
      • Fluxo de qualificação
      • Abordagem comercial (script)
      • Onboarding (quando há produto)

      E aqui volta a incrementalidade: nem toda melhora aparente é real. Em canais com muitos fatores externos, medir “o que mudou por causa do teste” é o mais difícil — e o mais valioso.

      8) “Achismo” também aparece na liderança: metas sem método

      Muita empresa define meta assim:
      “Vamos crescer 30%.”

      Ok. Mas como?

      Marketing orientado por dados conecta meta → método → acompanhamento, usando frameworks simples de execução. Um dos mais conhecidos é OKR, difundido popularmente por John Doerr.

        A utilidade para empresa média é clara: você evita “meta solta” e passa a ter:

        • Objetivo (o que quer mudar)
        • Resultados-chave (como mede)
        • Iniciativas (o que vai fazer)
        • Ritos de revisão (como aprende)

        9) Checklist prático: como migrar do achismo para dados em 30 dias

        Se você quiser começar sem travar a operação:

        1. Defina 1 meta de negócio (ex.: aumentar receita em 10% com a mesma margem)
        2. Escolha 1 métrica principal (ex.: clientes pagos/mês)
        3. Mapeie o funil (de canal → lead → venda → receita)
        4. Padronize origem no CRM (sem “insta/Instagram/IG”)
        5. Garanta eventos e conversões (GA4/CRM)
        6. Crie 1 painel simples (5–8 métricas, no máximo)
        7. Rode 2 experimentos por mês com hipótese e critério de decisão
        8. Faça uma reunião semanal de aprendizado, não de culpa

        10) Conclusão: dados não substituem experiência — eles protegem sua empresa dela

        No fim do dia, a diferença não é “intuição vs. dados”. É:

        • intuição sem validação vs. intuição com prova
        • ação aleatória vs. ação com aprendizado
        • gasto de mídia vs. investimento com retorno medido

        O marketing no achismo vai continuar existindo — porque ele é confortável. Mas, para empresas médias, crescer com previsibilidade exige método: medir certo, analisar com foco e decidir com testes.

        Se você fizer só uma coisa a partir deste artigo, faça esta: pare de otimizar o que é fácil (curtidas) e comece a otimizar o que paga as contas (margem, conversão, retenção).


        Glossário rápido (sem “tecnês”)

        • Evento (GA4): ação medida (ex.: clique, envio de formulário).
          Conversão: evento marcado como resultado importante (ex.: compra, lead qualificado).
          Incrementalidade: quanto um canal/campanha gerou a mais do que geraria sem ela.
          OKR: método para ligar objetivos a métricas e execução.
          Métricas que importam: métricas ligadas ao valor do negócio, não só visibilidade.

        Referências (todas verificáveis, sem Wikipedia)

        • Eric Ries (The Lean Startup)
        • Alistair Croll e‎ Benjamin Yoskovitz (Lean Analytics: Use Data to Build a Better Startup)
        • Google Analytics Help
        • Site amplitude.com
        • Site measured.com
        • Site haus.com
        • John Doerr (Measure What Matters)
        • Site medium.com
        • Site rdtation.com
        • Site howedu.com.br

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