• Home
  • Fail Fast
  • Como o Growth Marketing e o Growth Hacking tornam-se fundamentais para o crescimento

Crescer é o desejo de quase todo empreendedor e CEO. O problema é que, na prática, crescer ficou mais difícil: concorrência aumentou, atenção do cliente diminuiu, os custos de aquisição variam demais e o consumidor está mais exigente. Nesse cenário, muita empresa entra num ciclo perigoso:

  1. Faz campanha para vender mais,
  2. Vende um pouco,
  3. Para a campanha e as vendas caem,
  4. Volta para a campanha, gastando mais.

Isso não é “crescimento”; é dependência de ação pontual.

É aqui que Growth Marketing e Growth Hacking se tornam fundamentais: eles ajudam a empresa a sair do improviso e construir um sistema de crescimento — algo que você consegue repetir, medir e melhorar. Em outras palavras: em vez de “torcer para dar certo”, você passa a operar crescimento como um processo de gestão.

Este artigo explica o que é Growth de forma direta, mostra como aplicar em B2B SaaS e em varejo/serviços, e fecha com um glossário. O foco é clareza e tomada de decisão para líderes.

Growth Marketing e Growth Hacking

1) O que é Growth Marketing

Growth Marketing é uma forma de fazer marketing olhando o caminho inteiro do cliente, não só a propaganda.

Na prática, Growth Marketing responde perguntas como:

  • As pessoas certas estão chegando?
  • Elas entendem a proposta e compram (ou começam a usar) rápido?
  • Elas voltam? Recompram? Renovam?
  • Elas indicam para outras pessoas?
  • A empresa está crescendo com margem e previsibilidade?

A lógica é: crescimento não depende só de atrair gente; depende de transformar gente em cliente e manter esse cliente ativo e satisfeito.

Essa visão se conecta ao método “construir → medir → aprender” descrito por Eric Ries em The Lean Startup, que enfatiza ciclos curtos de aprendizado para reduzir desperdício e aumentar velocidade de evolução do negócio. ( The Lean Startup)

2) O que é Growth Hacking

Growth Hacking é o lado mais “mão na massa” do Growth: você pega um problema de crescimento, cria uma hipótese e testa rápido.

Exemplo simples:

  • Problema: muita gente pede orçamento, mas pouca fecha.
  • Hipótese: “Se eu reduzir o tempo de resposta para menos de 5 minutos e padronizar a primeira mensagem, fecho mais”.
  • Teste: medir conversão antes e depois por 2 semanas.
  • Decisão: se melhorar de verdade, vira padrão; se não, descarta.

Growth Hacking não é “truque”. É resolver gargalos com testes práticos.

3) Por que Growth virou fundamental

3.1) Porque comprar cliente tende a ficar mais caro e incerto

Quando o custo de aquisição sobe, a empresa precisa melhorar o que acontece depois que o cliente chega. Caso contrário, você só acelera um balde furado.

Em Growth, a pergunta muda de “Como trago mais tráfego?” para:

  • “Como aumento conversão?”
  • “Como faço o cliente voltar?”
  • “Como aumento o ticket médio?”
  • “Como reduzo cancelamento?”
  • “Como gero indicação?”

3.2) Porque retenção (cliente voltar) vale ouro

Para SaaS e assinaturas, isso é óbvio. Para varejo e serviços, também: recompra, fidelização e indicação costumam ser o caminho mais eficiente de crescimento.

A importância de escolher métricas que realmente orientam decisões aparece de forma prática em Alistair Croll e Benjamin Yoskovitz, Lean Analytics, que discute o uso de dados para construir negócio com mais clareza, destacando a ideia de focar em “uma métrica principal” no momento certo. (Lean Analytics: a importância das métricas para a tomada de decisão em startups)

    3.3) Porque o vencedor é quem aprende mais rápido

    Hoje, o que separa empresas que escalam das que travam não é “ter mais ideias”, mas ter um jeito consistente de testar, medir e melhorar.

    É aqui que entra gestão por objetivos e métricas. A lógica dos OKRs (Objetivos e Resultados-Chave) aparece bem em John Doerr, Measure What Matters: alinhar prioridades e medir execução para evitar dispersão. ( Entendendo o método de gestão Objective Key Results (OKRs) )

    4) Growth na prática: um modelo simples que todo líder entende

    Para simplificar, pense que qualquer negócio cresce (ou trava) em cinco partes do caminho do cliente. Um modelo muito usado para isso é o AARRR, associado a Dave McClure (“Pirate Metrics”). Ele ajuda a empresa a enxergar onde está o gargalo:

    • Aquisição: como o cliente chega
    • Ativação: como ele percebe valor cedo (ou compra com confiança)
    • Retenção: como ele volta e continua usando/comprando
    • Receita: como o negócio ganha dinheiro (e aumenta margem)
    • Indicação: como cliente traz cliente

    Você não precisa amar siglas. Use como “checklist de gestão”. (PostHog – AARRR pirate funnel)

    A regra de ouro do Growth: conserte o gargalo principal

    Se o seu gargalo é ativação (as pessoas chegam, mas não compram/engajam), não adianta dobrar o tráfego.
    Se seu gargalo é retenção (compram uma vez e somem), não adianta aumentar anúncios.

    Growth é essencialmente: descobrir o gargalo que mais limita o crescimento e atacar primeiro.

    5) O Growth para B2B SaaS, PARAcrescer com previsibilidadE

    B2B SaaS geralmente trava por três motivos:

    1. Chega lead errado (não é cliente ideal)
    2. O trial/onboarding não leva ao “primeiro valor”
    3. Fecha e depois cancela (churn)

    5.1) O que um CEO de SaaS deveria medir

    Em SaaS, “métrica norte” (North Star) é uma forma de dizer: qual é a 1 métrica que mostra que o cliente está tendo valor de verdade?

    Exemplos práticos:

    • “usuários ativos por semana em contas pagantes”
    • “projetos concluídos por conta”
    • “integrações configuradas com sucesso”
    • “tempo até o primeiro resultado” (quanto menor, melhor)

    A lógica é simples: se você mede só cadastro e lead, pode estar atraindo curiosos. Growth pede métrica que represente valor real.

    5.2) Onde Growth costuma dar resultado rápido em SaaS

    • Onboarding: menos passos, tutorial guiado, templates prontos
    • Ativação: definir claramente qual ação indica “valor percebido”
    • Retenção: reduzir fricções, alertas para contas com queda de uso
    • Expansão: upgrades claros, planos bem embalados, uso que vira upsell
    • Qualidade de aquisição: conteúdo e abordagem focados no ICP

    5.3) Um plano simples de 60 dias (SaaS)

    Dias 1–15:

    • Definir ICP (cliente ideal) com vendas + CS
    • Definir “ativação” em 1 frase e medir
    • Mapear funil: visita → trial → ativado → pago → retido → expandido

    Dias 16–30:

    • Rodar 4–6 testes pequenos no onboarding e ativação
    • Ex.: reduzir campos, melhorar email de boas-vindas, checklist no produto, demo guiada

    Dias 31–60:

    • Padronizar o que funcionou
    • Criar rotina quinzenal de testes
    • Investir em 1 motor: conteúdo (SEO), parcerias/integradores, ou expansão na base

    6) o Growth para varejo e serviços, para crescer com margem e recorrência

    Aqui o problema raramente é “falta de campanha”. O problema costuma ser:

    • Promoção como muleta (vende hoje e destrói margem amanhã)
    • Cliente compra uma vez e some
    • Operação não mede recompra e rentabilidade por cliente

    6.1) O que um empresário de varejo/serviços deveria medir

    Exemplos de “métrica norte” mais pé no chão:

    • % de clientes que compram de novo em 60/90 dias
    • frequência de compra por cliente
    • ticket médio por cliente recorrente
    • margem por cliente (quando possível)
    • tempo até a segunda compra

    O objetivo é sair da obsessão por “movimento” e entrar em “recorrência com margem”.

    6.2) Onde Growth costuma dar resultado rápido em varejo/serviços

    • Conversão: checkout/agendamento mais simples, oferta mais clara, prova social
    • Pós-venda: sequência pós-compra para gerar recompra (uso, cuidado, cross-sell)
    • Reativação: campanhas para clientes parados (segmentadas, não genéricas)
    • Indicação: tornar fácil pedir e recompensar indicação
    • Mix e bundles: aumentar ticket sem depender de desconto

    6.3) Um plano simples de 60 dias (varejo/serviços)

    Dias 1–15:

    • Separar clientes em grupos: novos, recorrentes, inativos, alto ticket
    • Medir recompra e ticket médio por grupo

    Dias 16–30:

    • Testar 2–3 melhorias de conversão
    • Testar 2 fluxos de pós-compra (ex.: WhatsApp/email) para estimular segunda compra

    Dias 31–60:

    • Transformar o melhor fluxo em padrão
    • Criar rotina mensal de testes com foco em recompra e margem

    7) O que o líder precisa garantir (senão Growth vira “bagunça”)

    Aqui entra estratégia e foco. É comum empresas virarem “fábrica de testes” sem direção. Richard P. Rumelt, em Good Strategy/Bad Strategy, critica exatamente isso: confundir metas com estratégia e fazer listas de desejos sem plano coerente. (Good Strategy, Bad Strategy | Richard Rumelt)

    Na prática, para Growth funcionar, o CEO precisa garantir:

    1. 1–2 prioridades reais (gargalos) por ciclo
    2. Métricas bem definidas (sem cada área medir de um jeito)
    3. Cadência de execução (semanal/quinzenal)
    4. Registro do aprendizado (o que funcionou e por quê)
    5. Responsáveis claros por cada métrica-chave

    Conclusão

    Growth Marketing e Growth Hacking se tornaram fundamentais porque transformam crescimento em gestão. Eles evitam que a empresa dependa de “campanha”, “sorte” ou “grande ideia”. Em vez disso, criam um sistema:

    • identifica o gargalo principal,
    • testa hipóteses rapidamente,
    • mede com rigor,
    • padroniza o que funciona,
    • e repete.

    É isso que dá previsibilidade, eficiência e crescimento sustentado.


    Referências

    • Eric Ries — The Lean Startup
    • Alistair Croll e Benjamin Yoskovitz — Lean Analytics
    • John Doerr — Measure What Matters:
    • Richard P. Rumelt — Good Strategy/Bad Strategy:
    • AARRR / Pirate Metrics (Dave McClure)

    Glossário (siglas e termos técnicos)

    • AARRR: modelo para enxergar o crescimento em etapas: Aquisição, Ativação, Retenção, Receita e Indicação.
    • Ativação: o momento em que o cliente “entende o valor” e dá o passo que indica sucesso inicial (ex.: primeira compra, primeira automação, primeiro projeto concluído).
    • CAC: custo para adquirir um cliente.
    • Churn: cancelamento/perda de clientes (ou perda de receita).
    • Coorte (cohort): grupo de clientes que entrou no mesmo período (ex.: “clientes que compraram em janeiro”) para comparar comportamento ao longo do tempo.
    • Conversão: percentual que passa de uma etapa para outra (ex.: visita → compra).
    • CRO: melhorar conversão (site, checkout, proposta, fluxo).
    • Gargalo: o ponto onde o crescimento trava (onde “vaza” cliente ou margem).
    • ICP (Ideal Customer Profile): perfil de cliente ideal (quem mais se beneficia, paga melhor, dá menos problema e fica mais tempo).
    • Instrumentação / tracking: configurar ferramentas para medir corretamente o caminho do cliente (origem, ações, compra, recompra, cancelamento).
    • LTV: valor total que um cliente deixa ao longo do relacionamento (receita ou margem).
    • OKR: objetivos e resultados-chave para alinhar foco e medir execução.
    • Onboarding: primeiros passos para o cliente começar bem e perceber valor rápido.
    • PLG: quando o produto ajuda a vender (ex.: trial bem desenhado, convite de colegas, upgrade dentro do sistema).
    • Retenção: capacidade de manter cliente ativo (voltando, usando, recomprando, renovando).
    • Upsell / Cross-sell: vender plano superior (upsell) ou itens/serviços complementares (cross-sell).

    Adicione um comentário

    informações para diagnóstico

    SOLICITE INFORMAÇÕES

    SOLICITE SEU ORÇAMENTO